Colégios Militares, uma história mais que centenária

       Os indícios históricos sobre a origem dos Colégios Militares remontam a 1840, quando foi assinado, por Pedro Araújo Lima – o Conde de Lages –ministro e secretário de Estado dos Negócios da Guerra, decreto que criava o Colégio Militar do Imperador, instalado no Arsenal de Guerra da Corte – a velha Casa do Trem.
       A notícia concreta que se tem desse ato consta da “Collectânea e Ligeiro Histórico do Arsenal de Guerra do Rio de 1773 a 1922”, editada nesse ano pelo “Escriptório da 2ª Secção” do referido Arsenal. Mais, não se dispões a respeito, até o momento.
       Sabe-se também, por relatos históricos, que o então Marquês de Caxias, a partir de 1853, passou a manifestar vontade de que fosse criado um colégio para acolher órfãos de militares tombados nos campos de batalha, em defesa das instituições e da pátria. Esse ideal contou com o apoio do visconde de Tocantins, que também propugnou por sua concretização, mas sem êxito imediato.
       Somente em março de 1889, foi assinado o Decreto Imperial número 10.202, criando o Imperial Colégio Militar da Corte, por insistente gestão do ministro da Guerra, Thomaz José Coelho d´Almeida, tornando realidade o sonho acalentado por Caxias e Tocantins.
       Um mês após a assinatura daquele ato, a União adquiriu, por 220 contos de réis, o Palacete do Barão de Itacurussá, para a instalação do Colégio, sendo suas atividades iniciadas a 6 de maio. Nascia, assim, o Colégio Militar do Rio de Janeiro, que se encontra instalado no mesmo casarão até os dias de hoje.
       Com o passar dos dias, em virtude da ampla presença do Exército no território nacional e do êxito obtido com aquele primeiro estabelecimento, outros foram sendo criados e instalados em diversas cidades: Porto Alegre e Barbacena (1912), esse último extinto em 1925; Fortaleza (1919); Belo Horizonte (1955); Salvador (1957); Curitiba (1958); Recife (1959); Manaus (1971); Brasília (1978); Campo Grande e Juiz de Fora (1993); Santa Maria (1994) e São Paulo (1995), esse ainda não ativado. A fundação Osório, também integrante do Sistema Colégio Militar do Brasil desde 1994, foi criada em 1921.
       O Sistema, coordenado pela Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA), conta hoje, com efetivo aproximado de 14 mil alunos, sendo 58% de meninos e 42% de meninas, as quais passaram a ser admitidas nos Colégios Militares a partir de 1989.
       É inegável que esses estabelecimentos de ensino, ao longo de sua história, vêm constituindo terreno dos mais férteis para a semeadura de civismo, cultura e renovação de valores, encerrando relevante significado para a educação da nossa juventude e servindo de vetor de congregação entre civis e militares.

Com a palavra, o prof. Glauber Rocha (ex-aluno)

       É gratificante saber que em nosso país ainda existem instituições educacionais que primam por suas tradições como ordem, disciplina e ensino de alta qualidade.
       O Colégio Militar de Fortaleza (CMF), desde que foi fundado em 1919, é indiscutivelmente motivo de orgulho para nossa sociedade. Seus alunos e ex-alunos carregam consigo a responsabilidade de usar ou ter usado as fardas de uma organização tão nobre.